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História

POLITÉCNICA

Muitas técnicas, muitos cursos.
Muitas histórias...
Um único sonho!

A história de qualquer instituição começa pelo sonho. O sonho de um que conquista muitos e adquire força para se tornar realidade. A história da Escola Politécnica da Bahia não foi diferente.

Arlindo Coelho Fragoso, engenheiro formado pela Escola Politécnica do Rio de Janeiro em 1885, foi o gestor do sonho de criar na Bahia uma Escola que formasse os engenheiros necessários ao desenvolvimento do Estado e do País.

Corria o final do século XIX. Um século de muitas mudanças. Num espaço de pouco mais de oitenta anos o Brasil passara de colônia a sede do reino em 1808, a estado independente de regime imperial em 1822 e a república federativa em 1889. Apesar de ter deixado para trás o regime imperial, ainda dominado por uma corte portuguesa, o país enfrentava uma situação política instável.

Havia necessidade de gerir fronteiras, de conhecer e integrar o território, de afirmar a soberania nacional pelo aparelhamento dos transportes, dos serviços, das industrias, que durante todo o século XIX haviam estado sob o domínio do capital e da tecnologia estrangeira. Para isso, a formação de profissionais e a criação de escolas era indispensável. No horizonte do desenvolvimento, o papel do engenheiro era fundamental.

Não sabemos quando o sonho se instalou e tomou forma na mente de Arlindo Coelho, mas os 12 anos posteriores à sua formatura foram de maturação e de contatos. O sonho precisava ser coletivo para que pudesse entrar no campo da realidade.

DIRETORES

Em 05 de julho de 1896, Arlindo Fragoso reuniu, na sala da diretoria da Secretaria de Agricultura e Obras do Estado da Bahia, um grupo de nove engenheiros - Affonso Glycerio da Cunha Maciel, Austricliano de Carvalho, Alexandre Freire Maia Bittencourt, Justino da Silveira Franca, Salvador Pires de Carvalho e Aragão, Francisco Lopes da Silva Lima, Antonio Luis Freire de Carvalho, Fortunato Fausto Galo e Antônio Augusto Machado - comunicando-lhes que ia ser criado, pela iniciativa conjunta de particulares e do Governo do Estado, o Instituto Politécnico da Bahia, primeiro passo no caminho para o estabelecimento de uma Escola Politécnica.

A partir dessa primeira reunião preparatória, dividiram-se entre os presentes as tarefas necessárias tais como: estabelecer o programa do Instituto, organizar a estrutura da Escola, enviar mensagem ao Legislativo Estadual solicitando subvenção; elaborar os estatutos do Instituto e da Escola e fazer contato com as elites políticas.

Uma semana depois, a 12 de julho de 1896, era solenemente instalado o Instituto Politécnico da Bahia, com a presença de Secretários de Estado, membros da Câmara, do Senado e do Conselho Municipal, além de representantes de diversos segmentos da sociedade.

As reuniões continuaram, desta vez para preparar, já sob a égide do Instituto, a criação da Escola Politécnica. Escolhiam-se professores, organizavam-se os cursos, aprovava-se o orçamento e procurava-se, dentro desse orçamento, um prédio que pudesse funcionar como sede. Milhares de tarefas e de pequenos detalhes fastidiosos de enumerar, desinteressantes para um relato histórico, mas que qualquer administrador sabe essenciais ao sucesso do empreendimento.

Por fim, às 13 horas do dia 14 de março de 1897, no sobrado nº 6 da Rua das Laranjeiras, instalava-se com todas as solenidades de praxe a Escola Polytechnica da Bahia.

Coroava-se em festa o trabalho de 12 anos. O sonho de Arlindo Fragoso tornava-se naquele dia realidade abrindo, para a juventude da Bahia, uma possibilidade de formação profissional. O lema adotado“Pela ciência, pela instrução e pela Pátria”, indicava claramente a orientação da École Polytechnique de Paris, cujos objetivos eram “dar uma sólida formação científica, apoiada na matemática, física e química, preparando futuros alunos para as escolas especiais de serviços públicos (Minas, Pontes e Estradas, etc.)”.

A partir de então a Politécnica começa a funcionar no velho sobrado do Centro, a poucas quadras da Escola de Medicina, cujos estudantes, instalados no suntuoso edifício do Terreiro de Jesus, caçoavam da vizinha pobre, chamando-a de “Colégio do Arlindo”.

Mas à custa de dedicação e de muito trabalho o Colégio do Arlindo progrediu. No ano seguinte a Congregação já discutia as condições impostas pelo Governo para a equiparação da Escola Politécnica da Bahia à do Rio de Janeiro. Havia fundos suficientes para a instalação de gabinetes de Física e Química e aos poucos a Politécnica se equipava para crescer com qualidade.

Uma sessão extraordinária da Congregação foi convocada no dia 23 de maio de 1898. O clima era de alegria por mais uma batalha vencida. O governo acabava de conceder à Escola Politécnica da Bahia, através do decreto 2.803 de 9 de maio de 1898, o status de escola livre de ensino superior.

Essa vitória foi fruto da dedicação e do empenho dos fundadores, secundados pelos esforços do senador Severino Vieira e dos deputados da bancada da Bahia. Deliberou-se antão a colocação do retrato do senador no salão nobre, como forma de manifestar a homenagem e o agradecimento da Escola. Esse retrato, pintado por Ismael Couto, mais de 100 anos depois faz ainda parte do acervo da Escola Politécnica, assim como de tantos outros que, ao longo dos anos, contribuíram para manter acesa a chama de um sonho.

Apesar das dificuldades a Escola progredia. Para construir o seu patrimônio, nos primeiros anos de funcionamento, os professores do curso de Engenharia Civil voluntariamente ofereceram os vencimentos a que tinham direito e os do curso Geral, metade de seus vencimentos. Essa doação tinha como finalidade a aquisição de material didático e a futura compra de um prédio que fosse sede definitiva da Instituição. Aparelhavam-se também a biblioteca e os gabinetes com doações.

Os esforços conjuntos foram bem sucedidos. Em abril de 1901 a Escola deixava a Rua das Laranjeiras e transferia-se para a rua João Florêncio n. 1, esquina da praça da Piedade. Dois anos depois, em 1903, formava-se a primeira turma de engenheiros pela Escola Politécnica da Bahia, cinco engenheiros geógrafos e três engenheiros civis.

Mas nem tudo foram flores e sucessos. Em 1904, devido ao atraso do Governo no pagamento das subvenções devidas, a Escola enfrentava dificuldades financeiras e chegou a cogitar-se o seu fechamento. Um depoimento, transcrito por Sergio Faria, nos dá a exata medida dos problemas que a recém criada Escola enfrentou:

Prolongava-se desde a década de 30 a procura por um terreno adequado à construção da nova sede da Escola. Vários lugares foram pensados e descartados devido ao custo ou à distancia. Em 1953 a Diretoria entrou em entendimentos com a Sra Margarida Costa Pinto, para a aquisição de terrenos de sua propriedade na Federação. Terrenos amplos, com frente para as ruas Caetano Moura e Aristides Novis, que se estendiam até ao Vale de Ondina e cuja compra foi aprovada pela Congregação em 4 de maio do mesmo ano.

Em julho já estava nomeada uma comissão para executar o planejamento e o projeto do Conjunto Politécnico que, de acordo com o projeto apresentado no ano seguinte, seria composto por 4 blocos com capacidade para 1.600 alunos.

A transferência da Escola Politécnica para a nova sede ocorreria no dia 1º de agosto de 1960, sem inauguração formal, porque apenas o bloco I havia sido construído.

Apesar das condições não serem ainda as ideais, no novo edifício a Escola teve condições para se estabelecer e crescer no campo acadêmico e da pesquisa. Uma série de novos cursos foi criada e na década de 80 iniciou-se a pós-graduação. Em 1969 implantou-se o curso de Engenharia Mecânica, em 1981 foi a vez do de Engenharia Ambiental e em 1984 do de Engenharia de Minas. Em setembro de 1987 criou-se o Mestrado em Engenharia Química, o primeiro da Politécnica. Em 1994 iniciou-se o Mestrado em Engenharia Elétrica, em 1995 o de Engenharia de Produção, em 1997 o de Engenharia Ambiental Urbana e em 2001 o Mestrado Profissional em Tecnologias Limpas.

Atualmente a Escola Politécnica possui 11 cursos de graduação, 7 mestrados acadêmicos, 1 mestrado profissional, 5 doutorados, vários cursos de especialização, diversos cursos de extensão e mais de 40 grupos de pesquisa, sendo a maior unidade da UFBA e o maior centro de ensino de engenharia da Bahia.

O sonho de Arlindo Fragoso cresceu e frutificou.

Redigido por: Profª Ana Maria Cavalheiro de Lacerda (Em janeiro de 2010 - atualizado em fevereiro de 2016).